2026 se apresenta como um ano decisivo para o chocolate no Brasil — e, sobretudo, para as marcas, profissionais e instituições que compreendem que o futuro do setor não se constrói apenas com bons produtos, mas com visão estratégica, excelência técnica, narrativa consistente e profundo respeito às origens. Mesmo com desafios reais de mercado, muitas marcas estão em movimento de consolidação e estão driblando “pedras no caminho” com muita inovação, redesenho de produtos e processos e outras ações estratégicas.
Depois de anos de atuação contínua e qualificada no mercado do chocolate brasileiro, acompanhando de perto sua evolução, seus desafios e suas conquistas, o que observo hoje não é apenas um conjunto de tendências pontuais ou enraizadas em regras ou determinações. O mercado apresenta-se fluido e moldando novas perspectivas. Vejo que o que está ocorrendo agora trata-se de um reposicionamento estrutural do chocolate como linguagem cultural, ferramenta estratégica e ativo econômico de alto valor simbólico para o Brasil e para o mundo.
Minha leitura de mercado é construída a partir de múltiplas camadas, sempre conectadas entre si:
– o mapeamento sistemático das marcas brasileiras bean to bar e tree to bar no país, bem como do desempenho do Brasil em concursos nacionais e internacionais;
– a análise criteriosa de marcas nos prêmios como o Prêmio Bean to Bar Brasil, Academy of Chocolate (Londres) e International Chocolate Awards;
– o diálogo permanente com produtores de cacau, fabricantes de chocolate, equipes técnicas, chefs, confeiteiros, designers, gestores, investidores e parceiros institucionais;
– e, de forma igualmente relevante, a escuta sensível e analítica do público final em experiências gastronômicas, eventos corporativos, palestras e imersões sensoriais.
É nesse encontro entre dados, território, pessoas, cultura e percepção que se consolidam os pilares que, com clareza, podem moldar o mercado em 2026.
10 Pilares para Crescimento em 2026:
1. Experiências que evidenciam excelência deixaram de ser diferenciais e tornaram-se premissas.
O mercado reconhece técnica apurada, precisão de processos e intencionalidade clara. Mais do que impacto visual ou sensorial imediato, valoriza-se o que é genuíno, coerente e fiel à identidade da marca. Excelência hoje é consistência.
2. Narrativa não é adorno — é estrutura de valor.
Marcas que sabem contar sua história, contextualizar sua origem e traduzir seus processos constroem memória, desejo e reputação. Um chocolate de qualidade sem narrativa perde potência competitiva, especialmente em mercados maduros e internacionais.
3. Inovação se manifesta na inteligência da releitura.
O novo não está, necessariamente, no exótico extremo, mas na capacidade de reinterpretar ingredientes clássicos, tradicionais ou profundamente ligados a territórios específicos com técnica, sensibilidade e intenção contemporânea.
4. A cultura brasileira é um ativo estratégico ainda pouco referenciado no mundo do chocolate.
Rituais, saberes, sabores, biomas, gestos e referências culturais do Brasil oferecem um repertório riquíssimo para o desenvolvimento de chocolates com identidade, agregação de valor, sofisticação e reconhecimento global.
5. Cacau de qualidade é inegociável — e o mesmo vale para todos os ingredientes.
A qualificação do produto passa por seleção criteriosa, homologação de fornecedores, rastreabilidade e compromisso real com a excelência da formulação. O mercado reconhece quem respeita e valoriza a qualidade de suas matérias-prima.
6. Pessoas são parte central do valor da marca.
Produtores, equipes técnicas, comunicadores, parceiros e consumidores formam a comunidade que sustenta a reputação de um chocolate. Escutar, integrar e valorizar essas vozes é uma estratégia de longo prazo.
7. Comida afetiva é memória transformada em experiência.
Chocolates inspirados em referências afetivas criam conexão emocional profunda, fortalecem vínculos e geram fidelização. Quando bem executada, a comida afetiva se torna linguagem sofisticada, não uma possibilidade de nostalgia superficial.
8. Frutas brasileiras ampliam horizontes de inovação com identidade.
Sejam nativas, regionais ou cotidianas, frutas do Brasil oferecem caminhos potentes para inovação sensorial, fortalecimento de cadeias produtivas locais e valorização econômica de territórios diversos.
9. Origem não é discurso — é estratégia de posicionamento.
Território, rastreabilidade e relação com a origem constroem reputação, legitimidade e valor percebido. Marcas que sabem narrar suas origens constroem mercados mais sólidos e duradouros.
10. Cada marca tem uma personalidade única.
Tendências só fazem sentido quando alinhadas à identidade interna. Marcas fortes sabem quem são, fazem escolhas claras e constroem coerência entre produto, discurso e prática.
Ao observar com profundidade os resultados das grandes premiações internacionais, torna-se evidente que marcas de diferentes países vêm avançando com grande rigor em narrativa, design, processos, consistência técnica e posicionamento global. Há inspiração, sim — mas, acima de tudo, onde há sucesso, encontro elementos que comprovam método para que tudo siga com consistência e constância.
É exatamente por isso que 2026 se configura como um ano de oportunidade real.O mercado amadureceu.
As exigências se elevaram.
A concorrência se qualificou.
E, ao mesmo tempo, nunca houve tanto espaço para marcas que desejam crescer com estratégia, elegância, coerência e visão de longo prazo.
Este texto existe para provocar reflexão — e também para afirmar, com clareza, meu posicionamento: estou pronta para assessorar marcas brasileiras e estrangeiras que buscam expansão, crescimento, reposicionamento e/ou transformação, atuando com profundo conhecimento do mercado do chocolate brasileiro e leitura multicultural do cenário global.
Minha atuação como consultora integra:
– assessoria estratégica de narrativa e posicionamento de marca;
– qualificação técnica de produtos e processos;
– leitura crítica e estratégica de portfólio;
– preparação para premiações nacionais e internacionais;
– design de experiências sensoriais, gastronômicas e educativas;
– apoio à expansão de mercado com base em identidade, excelência e consistência.
2026 não pede improviso.
Pede repertório, método, sensibilidade cultural e coragem estratégica. chocolate brasileiro tem voz própria.
E as marcas que desejam ser reconhecidas precisam aprender a narrar com profundidade, intenção e verdade.
Seguimos em movimento.
Com excelência, brasilidade e visão de futuro.
— Juliana Ustra